Práticas Propostas

Após algum tempo criando canários, conseguimos acumular muitas alegrias e amizades, que certamente não teríamos se não fosse este meio. Também temos que ressaltar que, devido a alguns fatos na criação, temos muitas decepções e tristezas, como perder aquele canarinho que estava quase em um pedestal, devido a sua potencialidade demonstrada durante a muda de penas, ou ainda outras enfermidades que acabam acometendo nossos pássaros. Pretendo mostrar aqui um atalho para iniciantes, a fim de evitar um caminho a se percorrer que poderá gerar algumas decepções, já vivenciadas por este criador, ou por algum dos nossos colegas de clube. Espero com isso reduzir algum insucesso futuro.

Criadouro

Deve possuir ao menos uma abertura (janela, alçapão ou exaustor) para renovação do ar, ter uma área suficiente para acomodar de forma confortável o número de aves a serem criadas. Preferencialmente as paredes devem ser pintadas e com piso cerâmico, para facilitar os trabalhos de higienização, Aconselhável instalar uma torneira para facilitar os tratos diários. O local deve estar sem excesso umidade ou acúmulo de água. A renovação do ar é um importante aliado no controle de doenças, devendo evitar ao máximo ambientes com ar “carregado”.

O ideal é que o criadouro disponha de uma entrada de luz natural, mas caso não seja possível ou a luz existente não seja suficiente, pode-se optar por luz artificial controlada por um timer e um dimmer automático, fazendo com que o acender e apagar das luzes simule o amanhecer e o anoitecer, podendo assim o criador prolongar o dia em algumas horas para auxiliar no manejo, principalmente no período de criação.

Aqueles que iniciam a criação em algum cômodo vazio da casa ou similar, talvez não consigam por este motivo realizar todas as recomendações, mas devem tentar implementar todas as que forem possíveis.

Gaiolas

Certamente já visto em algum outro artigo, mas sempre é bom relembrar, as gaiolas devem ser de arame galvanizado ou pintado em epóxi (o que facilita a limpeza), devendo-se evitar as de madeira, visto, servirão de abrigos para várias ameaças (como fungos, traças e piolhos), que poderão infestar os canários. Atualmente há dois tipos de gaiolas que podem ser recomendadas: as com bandejas de fundo, para serem revestidas com jornal ou com esteiras, onde teremos várias gaiolas e logo a baixo uma folha de papel (branco ou pardo) em rolo, que facilita o trabalho de limpeza, pois ao puxar a ponta e recolher o papel sujo, já ocorre a acomodação do papel limpo.

Para separar os papéis absorventes que “coletam” as fezes e restos de alimentos, as gaiolas devem conter grades de fundo, evitando assim o contato com os animais. Recomenda-se que se tenham dois jogos de grades (ou duplas como são chamadas costumeiramente) para facilitar os trabalhos de limpeza, assim ao se retirar uma grade para limpeza, a outra é utilizada. A limpeza das grades deve ocorrer quinzenalmente ou dependendo da quantidade de canários em um período menor.

Para canários de cor, recomenda-se que as gaiolas sejam dotadas de suportes para comedouros e bebedouros do tipo “meia lua” na parte externa da gaiola, facilitando assim o manejo diário da limpeza de sementes e a troca da água. Para canários de porte, deve-se observar a raça, sendo que para os de topete recomenda-se comedouros internos e bebedouros tipo “garrafa” externos para evitar danos a plumagem do topete.

Cuidados

Escolhido o local e as gaiolas, como indicado de forma resumida neste artigo, devemos partir para os cuidados com os canários que são de extrema importância para o sucesso na criação. Geralmente as principais doenças envolvidas são as respiratórias, onde a principal recomendação é de se evitar vento direto nos canários, circular o ar não significa expor os canários ao vento. Além destas, existem doenças ligadas à necessidade de vitaminas, as intestinais ou ainda deficiência de algum nutriente. Em conversas com vários criadoresé possível encontrar tratamentos com medicamentos para as mais diversas indicações. Atualmente tenho por regra que, complementar a farinhada com probióticos, prebióticos e adsorvente de toxinas (comumente conhecido por sequestrante) já está de bom tamanho, não acrescentando nenhum tratamento além deste preventivo.

Neste ponto surgirão vários comentários e perguntas sobre o que fazer, então quando se percebe que algum canário está meio diferente ou quando tiver algumas mortes no criadouro, sem sombra de dúvidas ou incertezas, recomendo que sejam feitos exames individuais ou por amostragem e que o tratamento seja determinado por um veterinário especializado, onde assim haverá uma probabilidade muito maior de se tratar o problema da maneira correta e não criar resistência de vírus e bactérias a nenhum tratamento. Para a indicação de um bom veterinário ou de um bom laboratório, o mais coerente é buscar informação com o clube ornitológico mais próximo.

Outro fator que acomete até criadores experientes são os piolhos, que muitas vezes chegam a matar filhotes e em alguns ataques mais severos até as fêmeas no ninho, sendo um dos maiores inimigos para o criador. Para solucionar este problema, tenho a convicção de que prevenir é o melhor remédio e irei relatar minha forma de controle para esta praga. Posso garantir que observando os colegas que tiveram algum problema deste tipo, em 100% dos casos ocorreu alguma imprudência, muitas vezes por sorte a mesma falha não causa problemas em outros lugares, mas tomadas algumas medidas de prevenção só com muito azar teremos infestação.

Com os cuidados que tenho, posso dizer que alguma sorte já tive por não ter problemas com piolhos, mas volto a frisar: é bom não contar com ela e sim com as práticas a seguir.

- Desmame: sempre que separo filhotes do casal para a voadeira, utilizo *Ivomec Pouron ou *Front Line, duas gotas na coxa após retirar duas penas; este cuidado deve ser feito sempre e em todos os filhotes, sem deixar nenhum para trás. Isto ajuda em um controle inicial e caso tenhamos algum foco vindo de fora do canaril, por alguma ave silvestre que se aproxime, ou por qualquer outra forma de infestação evitaremos que este pássaro seja infestado, uma vez que o piolho ao sugar o sangue com o produto o mesmo irá morrer.

- Entrada de pássaro para plantel: todos o pássaros que chegam em meu canaril, antes mesmo de se juntarem aos demais, costumo vacinar com Front line antes e se possível deixo o mesmo em observação fora do canaril por pelo menos uma semana, assim, além do produto fazer efeito é possível observar qualquer outra enfermidade que pode estar acometendo o pássaro.

- Saída para concurso: todos os pássaros antes da saída para o concurso regional são vacinados, a fim de reforçar a dose do desmame, assim, mesmo o ambiente de concurso tendo algum tipo de piolho, a infestação não ocorrerá. Quando falo de piolho no ambiente de exposição, não tenho a intenção de dizer que falta algum tipo de cuidado pelos organizadores, apenas relato os fatos que podemos observar em qualquer concurso: pássaros de vários criadores, animais silvestres que adentram o recinto entre outros.

- Retorno de pássaros de concurso: costumo deixar os animais que retornam de concurso em torno de uma semana em uma sala fora do canaril para observação, com intuito de verificar algum comportamento estranho ou a existência do parasita, este simples cuidado, fará com que a ave seja vacinada e evite-se uma infestação.

- Antes da criação: costumo utilizar o *Ivomec Pouron nos casais para uma possível desinfestação de qualquer parasita, realizando também uma limpeza nos poleiros, garantindo um período de criação sem piolhos.

Além destes cuidados com os pássaros, anualmente realizo uma limpeza geral no canaril e dos acessórios, desta forma acredito contribuir também para a manutenção da saúde do plantel.

Se mesmo com os cuidados citados ocorrer uma infestação de piolhos, segue sugestão de controle, baseada em ação realizada por um sócio que teve o problema e sucesso no controle: foi realizada uma limpeza geral no criadouro, nos pássaros, nas gaiolas, nos poleiros e demais acessórios utilizando com *KillRed. Uma semana após a limpeza, foi vacinada toda a população do criadouro e decorridos quinze dias da limpeza uma nova pulverização com *KillRed, a fim de se eliminar qualquer resquício de infestação.

Posso garantir que foram eliminadas as populações de piolhos, porém acredito que os cuidados preventivos citados anteriormente serão, além de mais fáceis, menos agressivos ao plantel do que um tratamento “curativo” citado no parágrafo anterior.

Obrigado por lerem a revista da SOC e espero que o texto seja útil a todos que se empenham em promover a evolução da ornitologia, desta forma estarei atingindo os objetivos não só da nossa entidade, mas de todas as entidades voltadas a ornitologia. Um grande abraço e um ótimo ano de criação a todos nós.

 

Edgar Crippa

SOC FA 200

 

(*) Foram citadas as marcas dos produtos por serem comumente conhecidos, porém estes poderão ser substituídos por outros com os mesmos princípios ativo.

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